de 28 de Fevereiro de 1935
«Bandeiras vermelhas» <br>regressam ao Barreiro
O Espaço Memória do Barreiro acolheu, no dia 14, uma iniciativa alusiva às comemorações dos 80 anos da Jornada de Agitação e Luta da madrugada de 28 de Fevereiro de 1935, integrado no Projecto «O Regresso das Bandeiras».
«Cabe a cada um de nós travar a batalha da memória»
Na entrega simbólica de documentos, em suporte digital, de todo o «Processo das Bandeiras» (da PVDE), do acervo documental do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, pelo Director Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Silvestre Lacerda, ao presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto de Carvalho, estiveram uma centena de pessoas, vereadores na autarquia, militantes e amigos do PCP e ex-presos políticos residentes no concelho.
O momento marcou o ponto de partida das comemorações, que se irão prolongar durante o primeiro semestre de 2016, no âmbito das comemorações dos 80 anos da Jornada de Agitação e Luta de Fevereiro de 1935. Para o dia 28 de Fevereiro está agendada a inauguração da exposição temporária «O Regresso das Bandeiras», no Espaço Memória.
O «Regresso das Bandeiras» tem como objectivo trazer ao Barreiro as bandeiras que foram colocadas naquela que foi uma das maiores acções de luta dos comunistas naquele tempo. Na iniciativa, Carlos Humberto, presidente da autarquia, frisou que «o episódio das bandeiras vermelhas será recordado durante gerações, tornando-se parte inalienável da memória colectiva do Barreiro e do seu papel na resistência ao regime fascista». Neste episódio, sublinhou ainda, «encontra-se a coragem de um punhado de barreirenses que afrontou a ditadura, com a determinação do PCP, para, num quadro de duríssima repressão, levar a efeito, na vila operária do Barreiro, uma surpreendente acção de agitação e protesto».
Valorizar a memória
Agora, «cabe a cada um de nós travar a batalha da memória. Cabe às autarquias dar voz ao tempo e aos homens, também dando memória aos que não a têm ou aos que vão vendo a sua memória apagada e esquecida». Esta é uma função do Espaço Memória do Barreiro, equipamento municipal que permite «assumir o papel activo que defendemos para a Administração Pública na assunção de políticas de valorização da memória. Entendemos que passos como este assumem importância na formação da nossa identidade e na compreensão dos alicerces do projecto societário nascido da Revolução de Abril», afirmou Carlos Humberto, acreditando que «só valorizando a memória tornamos possível e efectiva a transmissão às gerações presentes e vindouras de experiências e percursos culturais concretos».
A história
Na madrugada do dia 28 de Fevereiro de 1935, vários homens colam – em portas, paredes, janelas, candeeiros, às centenas – por toda a vila do Barreiro e Lavradio manifestos e tarjetas «Contra a guerra imperialista e o fascismo», «Contra a ditadura de Salazar», pelo apoio ao «Socorro Vermelho Internacional», pela «Jornada de 7 horas sem redução de salários», entre outras reivindicações.
Na mesma noite, são hasteadas bandeiras vermelhas em algumas das principais ruas do Barreiro. Mas a maior surpresa guarda-a a chaminé das Oficinas Gerais da CP. Bem no topo dos seus 36 metros, ondula ao vento uma bandeira vermelha na qual alguém pintara uma foice e um martelo e as iniciais PCP.
Nas últimas horas da madrugada, a GNR percorre todo o concelho, arrancando tarjetas e manifestos, cobrindo com cal as inscrições nas paredes, retirando as bandeiras hasteadas nas ruas.
Resta a chaminé das Oficinas Gerais, onde a bandeira hasteada durante a noite lançará o seu desafio até meio da manhã. Toda a vila a vê.